Como as redes nos ajudam a entender a queda na aprovação de João Doria

O prefeito de São Paulo, João Doria, com certeza já viveu meses melhores em sua vida – e até mesmo em seu curto governo – do que o mês de maio. Marcado por diversas polêmicas e ações que mereceram até mesmo moções de repúdio da ONU, Doria se viu acuado por inúmeras acusações. O resultado? Uma queda – ainda que dentro da margem de erro, é verdade – em sua aprovação perante os paulistanos.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada nessa segunda-feira [05/06], João Doria viu a porcentagem de “fez pela cidade menos do que você esperava” saltar de 39% em fevereiro para 47% em abril e 53% em junho. Mas e o mês de maio?

Datafolha Doria.png

Pesquisa Datafolha divulgada dia 05/06.

 
O mês de maio talvez guarde a explicação para a queda, entre abril e junho, no percentual de “ótimo/bom” do prefeito – bem como do crescimento de “ruim/péssimo”. Ressalto aqui, mais uma vez, que ambos os valores encontram-se dentro da margem de erro. No entanto, não podemos negar a tendência à queda.

Avaliação.png

Resta nos perguntar o porque – e quando – que ações que foram tomadas podem ter acarretado essa queda na avaliação de um prefeito que, nos olhos de boa parte da mídia e de seu eleitorado vem fazendo uma gestão impecável.

As redes sociais, as mesmas que são tão utilizadas pelo atual mandatário paulistano, podem nos ajudar a elucidar isso. Abaixo, ressalto três momentos de picos de menções registrados no Twitter durante o mês de maio, quando do monitoramento de tweets com o termo “Doria“.

Picos Doria

Três picos de menções são extremamente relevantes para a análise: 01, 18, 23, 24 e 26/05.

Crises diferentes, momentos diferentes e temas diferentes. Mas todos envolvendo diretamente o prefeito paulistano: episódio envolvendo flores, viagem com o deputado Rocha Loures, internação compulsória, manifestações contra a violência na região chamada de Cracolândia e demolição de prédio que acabou ferindo moradores na região da Luz.

Mês do Doria

Ainda que o “buzz” entorno da região denominada Cracolândia por parte da imprensa e do poder público seja significativo, o tema com maior impacto para João Doria foi a viagem com o deputado federal – agora preso – Rocha Loures.

O tema da “Cracolândia” ainda mostra-se extremamente delicado e, para a sorte da gestão Doria, conta com dificuldades de abordagem por parte da esquerda. Explico: tags em defesa da região como “#CracoResiste” sofrem extrema resistência em setores alheios ao debate sobre a região. Assim, enquanto movimentos sociais e em defesa da região não mobilizarem-se por meio de uma pauta muito mais representativa sobre a região, o tema ainda que gere bastante buzz contra João Doria, prosseguirá surtindo pouco efeito para além da polarização política.

Assim, enquanto João Doria luta para manter a imagem de “não sou político, sou gestor”, imagens circulam nas redes e buscam provar o contrário, ligando o prefeito à Michel Temer, Eduardo Cunha, Rocha Loures e Aécio Neves. O risco de cair na vala dos políticos tradicionais [e condenáveis perante os recentes escândalos] soa muito mais perigoso no eleitorado recém dominado por João Doria. A magia que se desenhou durante os últimos nove meses pode desaparecer em questão de semanas.

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