O #CatalanReferendum no Twitter: violência, notícias falsas e holofotes

Durante o dia 01/10 foi realizado o #CatalanReferendum na Catalunha, região da Espanha. Foram coletadas mais de 400 mil ocorrências no Twitter durante o período.

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Grafo “CatalanReferendum” no Twitter. Mais de 400 mil ocorrências.

A hashtag #CatalanReferendum ressalta algumas diferenças interessantes para o período, como o uso do termo “separatistas” apenas por usuários contrários ao referendo e à independência da região catalã.

A violência policial foi o ponto que uniu membros da UE, espanhóis e ingleses, por exemplo. Diversos apoiadores do #Brexit se posicionaram sobre o tema exigindo respeito e condenando a violência. É curioso como muitos – ou todos – aqui fogem da análise político-econômica da medida, condenando apenas a violência policial.

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Assim como no Brasil, impressiona o volume de manchetes falsas, imagens requentadas e outras manipulações que já estamos bem acostumados. Canais contrários ao referendo se empenharam durante todo o dia, em esclarecer que muitas das fotos eram na realidade resultado de ações dos “Mossos” [google it!] e de anos anteriores. Em um dos casos mais emblemáticos envolvendo Bombeiros e Policiais Espanhóis, usuários relatam que as imagens relatam, na realidade, uma manifestação de 2013.

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Vale ressaltar também o peso do clube FC Barcelona durante toda a mobilização, em especial do zagueiro Gerard Piqué.

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As palavras – e lágrimas – do jogador no pós-jogo foram um dos combustíveis para a mobilização nas redes sociais online.Entre os usuários contrários ao referendo destaca-se o alerta para o “perigo econômica” para Espanha e UE, bem como críticas à uma ação “inconstitucional” como o referendo.

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#TakeTheKnee: Donald Trump não está – e nunca esteve – sozinho

O grafo retrata uma coleta realizada nos últimos dias a partir da hashtag #TakeTheKnee. Trata-se de uma manifestação de apoio aos jogadores de futebol americano que têm se ajoelhado durante o hino nacional dos Estados Unidos, em protesto pela injustiça racial no país. Um gesto que provocou a irritação do presidente dos EUA, que chegou a fazer um pedido no Twitter para que a liga nacional de futebol americano (NFL) seja boicotada. Como resposta foi lançada nas redes sociais a hashtag #TakeTheKnee.
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#TakeTheKnee: manifestações nas redes sociais online encabeçadas pelos esportistas americanos

A análise dessa ‘foto’ do Twitter nos ajuda a reforçar, mais uma vez, que a fatídica frase “só podia ser no Brasil” sempre ficará restrita apenas ao tema Havaianas. Enquanto aqui temos políticos movidos pelo racismo, preconceitos e outros crimes, os EUA também tem os seus, assim como a Alemanha.
Nesse caso é realmente assustador ver o grande volume de menções em apoio ao presidente Donald J. Trump. Se alguns canais da imprensa nos transmitem a imagem de que Trump seria um “louco isolado na presidência americana”, as redes ajudam a nos explicar – e alertar – que não é bem assim.
O retrocesso não é uma exclusividade brasileira, assim como – pasmem – a jabuticaba. “Só podia ser no Brasil” é, portanto, uma frase que em nada contribui para o debate político mundial-nacional. É importante, mais do que nunca, entendermos que o processo de retrocessos sociais, econômicos e políticos envolve diversos atores mundiais, e não apenas questões brasileiras.

A importância do “não alimente os trolls” na política

Muito se discute sobre o “poder da atenção” e tempo gasto por usuários de agrupamentos contrários a determinados movimentos e atores nas redes sociais online para a escalada e ascensão desses mesmos atores contra os quais eles se posicionam contra.

Tomamos aqui como exemplo o deputado federal Jair Bolsonaro. Quando muitos atacam as menções ao deputado com a justificativa de “Não alimentem os trolls“, muitos questionam, duvidam e até mesmo argumentam que tal movimentação não tem peso algum – ou é irrelevante – frente a já consolidada campanha promovida pelo deputado federal nas redes sociais online. Será?

Analisamos durante os dias 24 e 27/06 menções ao deputado federal e potencial candidato à Presidência em 2018, Jair Bolsonaro. Dentro do debate gerado entorno desse ator, um tweet nos chamou atenção, o do deputado federal pelo PT, Enio Verri.

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Tweet/enquete feito pelo deputado petista que acabou “saindo pela culatra”.

Durante o período de análise, foi capturado também o buzz gerado a partir da divulgação de pesquisa sobre intenção de votos do Datafolha, no dia 25/06, em que o deputado Jair Bolsonaro aparece em 2º lugar, empatado com Marina Silva e atrás de Lula.

O resultado? Uma tentativa, digamos, frustrada por parte das redes do deputado petista de angariar um engajamento potencialmente temerário na forma de um “tira teima” da pesquisa no Twitter. A tentativa falha acabou por “absorver” o deputado petista para… o mesmo agrupamento que o deputado federal Jair Bolsonaro!

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Em números, a rede ego que se formou a partir do perfil de Enio Verri representou 11,3% dos nós e 11,76% das arestas representadas no grafo. Na análise? Pouquíssimo disso resultou em um engajamento efetivo nas redes do deputado por um longo período, sendo a grande maioria feita por fãs e seguidores de Bolsonaro que o fizeram, a partir de forte mobilização, vencer a enquete promovida pelo deputado petista.

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Talvez seja até tentador, mas é essencial calcular, analisar e planejar a abordagem dada ao seu concorrente, adversário ou até mesmo inimigo nas redes sociais online. Não se trata apenas de trollagem promovida pelos adversários, mas sim pela potencialização de temas, pautas e atores que as publicações buscam justamente confrontar.

Foto via Um Sábado Qualquer

Cuba & Trump no Twitter: ataques ao presidente americano e preocupações pelos charutos

Entre os dias 16 e 17 de junho foram capturados tweets envolvendo Donald Trump e o termo Cuba. Esse primeiro projeto de rede resultou em um grafo formado por 65.545 nós e 94.197 arestas.

Posteriormente, a fim de aferir quais os principais agrupamentos formados a partir dessas interações capturadas pelas ferramentas, foi gerada uma rede que resultou em um grafo composto por 59.323 nós e 88.398 arestas. Ou seja, basicamente 90,51% do total de nós registrado no grafo anterior.

Após a modularização desse segundo grafo, foi possível mapear os principais agrupamentos gerados a partir do algorítimo de modularização – que calcula a probabilidade de um determinado nós [nesse caso, usuário] estar incluído em um determinado grupo/comunidade ou em outro.

Dentre os agrupamentos criados, analisamos aqueles que reúnem ao menos 0,15% de todo o grafo em seu cluster. Assim, foram analisados 12 agrupamentos distintos.

Trump e Cuba? O quê aconteceu?

Donald J. Trump anunciou a revisão do acordo de reaproximação com Cuba. Esta nova política não reverte os feitos da aproximação iniciada por Washington e Havana em dezembro de 2014, mas endurece os seus termos.

Dentre as medidas, Trump fixou medidas mais estritas para controlar que os americanos que viajem à ilha o façam efetivamente em alguma das 12 categorias já implementadas por Obama, nenhuma das quais inclui o turismo – vale lembrar que empresas aéreas e de cruzeiros para Cuba fizeram investimentos milionários nos últimos dois anos para se preparar para o novo cenário bilateral.

Talvez o ponto mais curioso é que, tratando-se de um tema que envolve diretamente dois países, chama a atenção a ausência de uma mobilização essencialmente cubana entre os principais agrupamentos, fato que pode ser explicado por inúmeras variáveis sócio-político-econômicas que não fazem parte dessa análise. No entanto, aqui, observamos que o antagonismo à medida política promovida pelo governo de Donald Trump parte dos próprios americanos, a partir de um ponto de vista que não defende o país caribenho, sua população ou seu governo, mas sim ataca o presidente americano a partir de argumentos que reforçam a visão do retrocesso que tal ação representa para àqueles contrários as sanções promovidas pelo mandatário norte-americano.

Se interessou por essa análise feita a partir das redes sociais online? Aprofunde seu conhecimento sobre esse tipo de análise a partir do curso de Análise de Redes Sociais oferecido pela IBPAD!

Dentre os movimentos que se posicionam contrários à Trump destacam-se os democratas, venezuelanos pró-Maduro, movimentos engajados nas denúncias contra a discriminação racial, diversos meios de comunicação e, talvez o mais curioso capturado por esta análise, fã-clubes de charutos cubanos extremamente preocupados com possíveis sanções de Trump contra o produto.

Chama atenção a atuação de robôs venezuelanos no volume de tweets produzidos no período, bem como o perfil de embaixadas cubanas pelo mundo, com destaque para Espanha e Quênia. É importante ressaltar, no entanto, que robôs estão dispostos dos dois lados: defesa e ataques à Cuba, quase sempre fortemente conectados também a realidade política venezuelana.

Para além das ponderações necessárias, os – poucos, é verdade – tweets georreferenciados mostram uma movimentação maior em países de língua hispânica, além do diretamente envolvido Estados Unidos.

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O envolvimento de usuários da América Latina – em especial Venezuela e alguns outros como Bolívia, com destaque para o presidente Evo Morales – parece “suplantar” a ausência de uma rede fortemente engajada nas redes sociais online que seja oriunda diretamente do país envolvido, no caso Cuba. Ainda visando “superar” a ausência de Cuba no Twitter, diversas embaixadas e Ministérios se posicionaram nas redes sobre o tema, gerando a partir daí diversos agrupamentos engajados com o tema.

Quem falou sobre o tema no Twitter?

Abaixo, o grafo criado a partir da captura e processamento dos tweets sobre o tema e, posteriormente, os principais agrupamentos analisados após o processamento dos dados:

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Agrupamento I: 33,2%

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Agrupamento marcado por usuários mais próximos aos democratas americanos. Entre as agências de notícias e imprensa, aqui destacam-se MSNBC e CNN. Alguns cantores e senadores – com destaque para Flórida e Connecticut se destacaram. Destacam-se aqui as comparações entre Cuba e Arábia Saudita [Oriente Médio], sendo o principal questionamento “Trump in Miami: I’m a “voice against repression” in Cuba (he’s expressed no similar concerns on human rights in Saudi Arabia, Turkey, Egypt), tweet de Bradd Jaffy, editor da NBC.

Basicamente, aqui, a defesa não se faz diretamente ao regime cubano ou ao país caribenho, mas sim ataques à Donald Trump e ao seu discurso retrógrado contra o país.

Agrupamento II – 21,38%:

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Fortemente militar e em defesa de Donald Trump. Robôs e fakes atacam o presidente, é verdade, mas aqui a presença de estados como Tennessee e Wisconsin. Médicos que se definem como “de imigrantes LEGAIS [com ênfase no termo legal]” e participação de usuários venezuelanos contrários aos governos chavistas no país latino-americano.

Agrupamento III – 18,2%:

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Agrupamento fortemente contrário à Maduro na Venezuela, com participação de usuários que circulam entre Miami e Venezuela e destaque para o usuário “dólar today”, fortemente envolvido na oposição à Nicolás Maduro. Aqui o perfil da presidência venezuelana foi “dragado” para dentro do agrupamento pelo volume de citações.

Agrupamento IV – 7,94%:

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Apoio aos imigrantes nos EUA, membros do governo Obama e o presidente boliviano, Evo Moralles, são destaques nesse agrupamento. Destaca-se a defesa à Cuba promovida por embaixadas cubanas na Espanha e Quênia, bem como o Ministério de Relações Exteriores de Cuba. A Telesur também está presente nesse agrupamento, juntamente com a Sputnik. Maior volume de usuários apoiadores do governo cubano.

Agrupamento V – 5,52%:

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Perfis reacionários brasileiros e imprensa. Amplamente reconhecidos pelo posicionamento de direita/reacionários nos debates políticos brasileiros no Twitter.

Agrupamento VI – 4,38%:

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Perfil vegano e imprensa Americana e internacional. Forte caráter informativo e formal.

Agrupamento VII – 2,17%:

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Forte envolvimento de movimentos raciais dos EUA, com destaque para o Black Lives Matter e diversos rappers, advogados engajados em questões raciais e cultura afro-americana. Destacam-se também comentaristas políticos da CNN e repórter da Bloomberg.

Agrupamento VIII – 1,85%:

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Imprensa francesa e mobilização superficial pró-Trump movida por robôs.

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Abaixo, outros agrupamentos registrados na análise e que merecem destaque:

3,64%: heebiejeebys: Perfil com um tweet que foi replicado. Extraordinário.

Tweet Interessante

Tweet extraordinário que gerou um agrupamento específico ao seu redor.

0,91%: Apoiadores de Maduro e entusiastas de Chávez fomentados principalmente por robôs e excessivo número de retweets.

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Usuários preocupados com a importação dos charutos cubanos.

0,31%: Talvez um dos mais interessantes agrupamentos formados a partir do tema: trata-se de um agrupamento formado ao redor de uma conta sobre charutos, preocupada com a legislação e importação do produto cubano no futuro. Inclui também correspondente do El País em Miami e El País internacional.

0,15%: Analistas conservadores, colunista conservador, jornalista e integrante do governo George W. Bush. Muito envolvido com dois projetos: The Heritage Foundation e Conservative Review.

Como as redes nos ajudam a entender a queda na aprovação de João Doria

O prefeito de São Paulo, João Doria, com certeza já viveu meses melhores em sua vida – e até mesmo em seu curto governo – do que o mês de maio. Marcado por diversas polêmicas e ações que mereceram até mesmo moções de repúdio da ONU, Doria se viu acuado por inúmeras acusações. O resultado? Uma queda – ainda que dentro da margem de erro, é verdade – em sua aprovação perante os paulistanos.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada nessa segunda-feira [05/06], João Doria viu a porcentagem de “fez pela cidade menos do que você esperava” saltar de 39% em fevereiro para 47% em abril e 53% em junho. Mas e o mês de maio?

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Pesquisa Datafolha divulgada dia 05/06.

 
O mês de maio talvez guarde a explicação para a queda, entre abril e junho, no percentual de “ótimo/bom” do prefeito – bem como do crescimento de “ruim/péssimo”. Ressalto aqui, mais uma vez, que ambos os valores encontram-se dentro da margem de erro. No entanto, não podemos negar a tendência à queda.

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Resta nos perguntar o porque – e quando – que ações que foram tomadas podem ter acarretado essa queda na avaliação de um prefeito que, nos olhos de boa parte da mídia e de seu eleitorado vem fazendo uma gestão impecável.

As redes sociais, as mesmas que são tão utilizadas pelo atual mandatário paulistano, podem nos ajudar a elucidar isso. Abaixo, ressalto três momentos de picos de menções registrados no Twitter durante o mês de maio, quando do monitoramento de tweets com o termo “Doria“.

Picos Doria

Três picos de menções são extremamente relevantes para a análise: 01, 18, 23, 24 e 26/05.

Crises diferentes, momentos diferentes e temas diferentes. Mas todos envolvendo diretamente o prefeito paulistano: episódio envolvendo flores, viagem com o deputado Rocha Loures, internação compulsória, manifestações contra a violência na região chamada de Cracolândia e demolição de prédio que acabou ferindo moradores na região da Luz.

Mês do Doria

Ainda que o “buzz” entorno da região denominada Cracolândia por parte da imprensa e do poder público seja significativo, o tema com maior impacto para João Doria foi a viagem com o deputado federal – agora preso – Rocha Loures.

O tema da “Cracolândia” ainda mostra-se extremamente delicado e, para a sorte da gestão Doria, conta com dificuldades de abordagem por parte da esquerda. Explico: tags em defesa da região como “#CracoResiste” sofrem extrema resistência em setores alheios ao debate sobre a região. Assim, enquanto movimentos sociais e em defesa da região não mobilizarem-se por meio de uma pauta muito mais representativa sobre a região, o tema ainda que gere bastante buzz contra João Doria, prosseguirá surtindo pouco efeito para além da polarização política.

Assim, enquanto João Doria luta para manter a imagem de “não sou político, sou gestor”, imagens circulam nas redes e buscam provar o contrário, ligando o prefeito à Michel Temer, Eduardo Cunha, Rocha Loures e Aécio Neves. O risco de cair na vala dos políticos tradicionais [e condenáveis perante os recentes escândalos] soa muito mais perigoso no eleitorado recém dominado por João Doria. A magia que se desenhou durante os últimos nove meses pode desaparecer em questão de semanas.

Como as palavras mais utilizadas durante o #OcupaBrasília nos ajudam a entender o cenário

Alguns dos principais termos utilizados durante as manifestações do dia 24/05, em Brasília, durante o #OcupaBrasília.

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Observa-se uma predominância de termos que remetem ao vandalismo no agrupamento de direita [azul], Ali, termos como “vândalos”, “fogo”, “invadem”, “fumaça”, “#LulaNaCadeia“, “militares” e “caos” associam-se à “agricultura”, “ordem” e “imagens”. Observe, aqui, que Temer não é um dos termos mais presentes nesse agrupamento, que apenas utiliza-se das ações do presidente para posicionar-se contra as manifestações dos movimentos sindicais.

Azul

Já no agrupamento de esquerda/progressista [vermelho] termos como “povo” e “manifestantes” se contrapõe a generalização de vândalos proposta pelo agrupamento azul. As denúncias contra a violência policial são transmitidas por meio de termos como “reprimir”, “armas”, “policiais”, “atiram” e ataques ao “presidente” com termos como “golpe” e “corrupto”. Temer ainda é fortemente questionado pelo “decreto” que acionou o “exército”. Aqui, direita e esquerda se somam nas menções à “ruas”. Enquanto a esquerda mostra uma ligeira preferência pelo termo “exército”, a direita opta pelo termo “militares”.

vermelho

Outros termos como “dragão”, “estimação”, “derrubem” e também “imagens” foram utilizados por usuários que ironizaram os atos de vandalismo contra os ministérios e a frase de Michel “Temer” que, dias antes, utilizou a frase “Se quiserem, me derrubem”.

Doria atacando Lula? Sinal de que as coisas não vão tão bem para o tucano

Dias atrás ressaltei e analisei a semana, digamos, um tanto quanto “ingrata” para o prefeito paulistano nas redes sociais online. Doria foi atacado por diversas frentes durante o período, ficando acuado em um ambiente em que costuma ditar o jogo.

A partir desse período [28/04 até 08/05] busquei analisar qual foi – ou seria – a reação do mandatário da paulicéia frente a enxurrada de críticas que dominavam as timelines e tinham diversas justificativas: 99táxis e Uber, tentativa de furar a Greve Geral, ataques à ciclistas e retirada de ciclovias, flores atiradas ao chão, aumento no número de mortes nas marginais, agressões a pessoas em situação de rua e por aí vai. O alvo do descontentamento, no entanto, era apenas um: João Doria.

O grafo abaixo mostra a movimentação, no Twitter, durante as últimas duas semanas com o termo Doria. Para fins metodológicos, foram capturadas 185.704 ocorrências, com picos expressivos nos dias 28/04 e 01/05. O curioso aqui é que ambos os picos foram registrados em datas marcadas por manifestações ligadas à classe trabalhadora. Aparentemente, as tentativas eleitorais de ligar João à classe vêm encontrando dificuldades para se propagar nas redes para além da massiva campanha feita durante o período eleitoral.

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Nele estão presentes dois grandes agrupamento nitidamente distintos: o vermelho representa usuários detratores de João Doria e sua gestão, enquanto o azul mobiliza apoiadores do prefeito. O agrupamento de detratores aqui representa mais de 60% do grafo, enquanto os defensores da gestão e do prefeito tucano representam menos de 34%. O ponto curioso aqui é: o que falam ambos os agrupamentos?

Entre os detratores da atual gestão, conforme ressaltado acima, não há segredo: são ataques movidos contra a hostilidade pública de Doria em relação aos cicloativistas [ciclista], dificuldade em reconhecer os erros no aumento da velocidade das marginais e consequente aumento no número de mortes nas vias [flores], tentativa de intimidar usuários com equipe de advogados nas redes sociais online [advogado], agressões à pessoas em situação de rua [GCM], tentativa de oferecer transporte particular para todos os servidores que quisessem furar a greve, tentativa essa que fracassou [Uber], desconhecimento da legislação ao afirmar que grevistas não teriam razão/direito para tal paralisação [legislação], entre tantos outros.

Esquerda - Doria

Mas como será que os defensores de Doria rebateram essas acusações e buscaram mudar o rumo das discussões? Aqui está o ponto mais curioso: eles não tentaram fazer isso.

Como observamos na nuvem de palavras abaixo, os termos mais utilizados pelos usuários apoiadores de Doria são dominados por um nome: Lula. Mas o que teria o ex-presidente a ver com as diversas pautas municipais levantadas acima? Nada, talvez. No entanto, a tática de João Doria aqui é bem simples.

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Sempre que João Doria sente-se acuado – seja nas redes ou nas ruas – ele mira a pauta nacional em uma nítida tentativa de desviar o foco nas acusações. No âmbito nacional, conforme demonstram pesquisas de Datafolha, Ibope, Vox Populi, entre outros, Lula e Bolsonaro se destacam. Assim, Doria não pensa duas vezes e chama para si o discurso de Bolsonaro e passa, incessantemente, a atacar Lula.

Essa curiosa movimentação do tucano acendeu o alerta até mesmo em correligionários do político. Segundo o jornal O Globo, diversos interlocutores já advertiram João Doria sobre os “perigos de seu destempero”.

Doria Paz e amor

Portanto, lembre-se da próxima vez em que esbarrar, em sua timeline, com um vídeo de Doria destilando seu ódio contra Lula: os ataques tem como único objetivo desviar o foco nas redes quando ele passa a se sentir acuado.

Enquanto cidadãos, moradores e usuários, cabe aos paulistanos não cair no debate de baixo nível proposto à nível nacional e assim, continuar, a cada dia, cobrando o prefeito sobre suas responsabilidades em nível municipal, lembrando-o sempre de que ele foi eleito para comandar uma das maiores cidades do mundo, apenas.

Uma semana para o prefeito de São Paulo esquecer: Doria, Greve Geral e Ciclistas

O prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, teve uma semana no mínimo conturbada no Twitter. O agrupamento [amarelo] de usuários detratores que mencionaram ‘Doria’ foi a imensa maioria durante o período [61,5%].

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Os ataques partiram das mais diversas frentes: flores [após atirar flores entregues em luto pelas mortes nas marginais de São Paulo após o aumento da velocidade proposto pela gestão Doria], trabalhadores [após ataques aos grevistas durante a paralisação de 28/04], Uber [o prefeito chegou a prometer Uber e 99 Táxis para todos os servidores públicos da cidade durante a Greve Geral, mas teve que voltar atrás após não conseguir cumprir a promessa e gerar mal-estar entre ambas as empresas], Ciclistas [após se recusar a dialogar com cicloativistas e mandar retirar diversas ciclofaixas na cidade], Servidores [servidores da prefeitura regional de Pinheiros chegaram a dormir no trabalho para evitar a greve, e a medida foi vista com bons olhos por Doria], Lula [em uma saga pessoal promovida por Doria com o objetivo de atacar e se colocar como antagonista do ex-presidente] e até mesmo o astro de Hollywood, Schwarzenegger [após visita do ex-governador americano à cidade de São Paulo].

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Assim, Doria deverá continuar apostando alto em suas ‘polêmicas’ nas redes sociais online, sempre tentando dobrar as apostas e, cada vez mais, aproximando-se de agrupamentos que têm em Jair Bolsonaro seu principal representante nas redes. No entanto, a intensa campanha promovida por Doria à frente da Prefeitura começa a dar indícios de que não conseguirá sobreviver intocável as dificuldades que administrar uma das maiores cidades do mundo impõe a qualquer gestor.

Greve Geral: mobilização histórica também nas redes sociais

Durante o dia 28/04, a Greve Geral realizada por todo o Brasil registrou uma movimentação histórica no Twitter. Segundo a FGV-DAPP, o volume de menções superou os maiores protestos em favor do impeachment ao longo dos anos de 2015 e 2016.

Assim, no Twitter, as menções ultrapassaram o um milhão de ocorrências. Os termos capturados foram baseados nas palavras Greve, “Greve Geral”, #NestaGreveEu, #EuApoioAGreveGeral, #GreveNao, #BrasilEmGreve, #GreveGeralNoBrasil e #EuVouTrabalhar. No total, foram capturadas 1.091.815 tweets.

A partir da coleta foi gerado a grafo abaixo, com cerca de 185.992 nós e 421.198 conexões entre eles. Após a modularização do grafo e dos dados coletados, destaca-se a supremacia do agrupamento de esquerda/progressista e de apoio à greve. Ele representa mais de 69,37% de toda a rede coletada durante o dia 28/04. O agrupamento daqueles que se opuseram à greve geral corresponde a 19,25% do grafo. Por fim, o agrupamento de usuários alheios ao embate político e que exploraram de forma cômica e sem juízo de valor correspondeu a 5,25% do grafo.

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Alguns pontos durante o dia marcaram as redes sociais online. Do lado das redes que apoiaram a greve, o período foi de defesa das pautas progressistas, ataques à Michel Temer e mobilização contra as reformas. No decorrer do dia, porém, outro alvo concentrou os ataques e menções desses agrupamentos: a imprensa brasileira.

Já no agrupamento de detratores da Greve Geral, o objetivo desde o dia anterior desenhou-se nítido: atacar a Greve ligando-a ao ex-presidente Lula, ao Partido dos Trabalhadores e a CUT, aparentemente a única central sindical lembrada por esse agrupamento. Todo esse processo gerou um movimento curioso, onde os usuários @lulapelobrasil e @cut_brasil foram quase que “dragados” pelos agrupamentos de detratores que buscaram a todo momento ligar a greve geral a esses dois atores. Da mesma forma, os apoiadores da greve atacaram incessantemente o Movimento Brasil Livre e o prefeito paulistano João Doria, que anos atrás bradavam pela convocação de um Greve Geral e dessa vez posicionaram-se contra. Aqui chama atenção ainda a presença da chef Paola Carosella que criticou de forma indireta declarações do mandatário paulistano.

Menções - Grafo

AGRUPAMENTO DE APOIADORES DA GREVE

O agrupamento de apoiadores no período foi formado, principalmente, por usuários de esquerda/progressistas. Aqui, os principais usuários foram aqueles que fizeram exatamente o que a chamada “imprensa tradicional” não fez: cobriram a greve com maestria e serviram de fonte de informação para todos aqueles que buscavam fugir da cobertura medíocre de veículos dito tradicionais. Assim, @MidiaNinja, @J_Livres, @Brasil_De_Fato e @TelerSURtv foram grandes expoentes desse agrupamento.

Vermelho

O ponto mais interessante aqui talvez seja a diversidade que a composição desse agrupamento revela quando analisado de forma isolada. Aqui, o agrupamento que em um primeiro momento se mostra homogêneo entorno da defesa da Greve Geral, ao ser novamente modularizado e analisado, mostra-se formado por diversos outros agrupamentos. Assim, podemos observar o quanto o tema Greve se propagou para além dos agrupamentos de esquerda/progressistas que diariamente se engajam na pauta político-brasileira e aqui são representados pelo agrupamento vermelho. Para além desse agrupamento, outros foram formados e engajaram-se de forma essencial para que a greve tivesse o impacto histórico que teve nas redes sociais online durante o dia.

Agrupamento vermelho modularizado

Os termos mais utilizados pelos usuários fazem nítida referência ao direito de greve, ataques à Temer e as Reformas. Os três principais pontos de manifestação, aqui, foram Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. Diferentemente do agrupamento de detratores que veremos mais adiante, a CUT foi pouco ou quase nada mencionada nesse agrupamento, bem como PT [termo citado em tweets que abordavam a ‘possibilidade de não gostar do PT e apoiar a greve’] e Lula, que sequer está entre os termos mais citados.

Vermelho - Nuvem

Um ponto interessante ocorreu durante o desenrolar do dia: a imprensa brasileira começou a ser extremamente atacada pela pífia cobertura das manifestações e da greve geral. A todo momento comparações entre imprensa brasileira x estrangeira surgiram nas redes e tinham como objetivo atacar principalmente a rede Globo que, desde o dia anterior, ignorava a greve geral em toda sua programação. O tema recebeu atenção especial até mesmo de @mauriciostycer.

AGRUPAMENTO DE DETRATORES DA GREVE

Diferentemente do agrupamento de apoiadores da greve que, durante o período analisado, conseguiram propagar a pauta para outros agrupamentos, os detratores da greve pouco puderam expandir e propagar seus ataques e críticas as manifestações. As figuras com maior participação nesse agrupamento foram: @blogdojefferson, @paulacamara_, @brasil_fotos, @joaquinvoltou, @VEJA, @RevistaISTOE, @roxmo, @JanainaDoBrasil, entre outros. Vale ressaltar as incessantes tentativas de João Doria de se posicionar aqui como principal representante de um agrupamento insatisfeito com as manifestações. No entanto, o prefeito de São Paulo foi alvo de diversos ataques desde o dia anterior, quando prometeu oferecer transporte para todos os servidores e teve que, no fim do dia, desistir da promessa.

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Aqui, diferente do agrupamento de apoiadores da greve, as menções à Lula foram inúmeras: Sítio, Triplex e Lula. Mais uma vez, diferentemente do agrupamento de apoiadores, o termo CUT esteve entre os mais mencionados, bem como o PT.  

Outros termos aqui buscavam cravar que a greve fracassou, ressaltando termos como pneu, ônibus, bala e baderna. O objetivo é deslegitimar o movimento e mostrar uma falsa “violência recorrente” dentro das manifestações. Aqui, diferente dos apoiadores, nenhuma menção foi feita a violência da PM contra os manifestantes.

Azul - Nuvem

AGRUPAMENTO DE APOIADORES DA GREVE – ROSA

Esse agrupamento se aproveitou da presença da greve entre os trending topics mundiais e abordou o tema com outra linguagem, outras visões e com uma linha mais cômica do que todos os outros agrupamentos. Aqui, usuários como @cleytu, @luscas, @queissosenhor, @umvesgo e @luanlovato foram os principais nesse agrupamento.

Rosa

Dentre os termos mais utilizados estão menções cômicas à greve, sem juízo de valor ou ataques as manifestações na maior parte dos tweets. Termos como grevou, sextou, beijo, louça e almoço. Foto tirada em Recife foi extremamente utilizada nesse agrupamento e mostra um morador sentado, na avenida, tomando cerveja com a manifestação ao fundo.

Rosa - Nuvem de Palavras

CONSIDERAÇÕES

Mesmo após o governo de Michel Temer tentar negar o impacto, as redes mais uma vez provam o contrário. As mobilizações entorno da Greve Geral – nas redes e nas ruas – tiveram um impacto histórico não apenas para o governo federal, mas também para a imprensa brasileira.

No decorrer do dia a insatisfação com a cobertura pífia e medíocre da imprensa foi lembrada e questionada por muitos usuários. As comparações com a cobertura independente e até mesmo com a cobertura internacional tornaram a atuação da chamada “imprensa tradicional” cada vez mais questionável perante a opinião pública.

A mobilização atingiu outros agrupamentos – e isso foi essencial para a propagação da pauta. Usuários que não envolvem-se diariamente com o embate político polarizado das redes sociais online se engajaram, dessa vez, na defesa e apoio à greve geral – seja de forma cômica ou crítica. Essa movimentação foi essencial para o sucesso da pauta nas redes.

Do lado dos detratores, o mico ficou na mão de João Doria. O prefeito paulistano que, desde a véspera da greve buscava posicionar-se como porta-voz daqueles que era contra a greve, sofreu uma série de ataques nas redes sociais online e saiu menor do que entrou nesse dia. Não tardou e dobrou a aposta, anunciando que não permitiria a mobilização do 1º de maio na avenida Paulista, cartão postal de São Paulo. Mais uma vez o mandatário da capital paulistana perdeu, na justiça, o direito de manter sua promessa: um juiz plantonista entendeu, na tarde de domingo [30/04] que é necessária garantir a equidade de tratamento a todos movimentos sociais.

#ChegaDeAssédio: a culpa que a Globo prefere individualizar

Na manhã da última terça-feira (04/04), José Mayer divulgou uma carta assumindo, nas palavras dele, “eu errei”. Para além dos erros elencados por Débora Diniz na Carta Capital, é importante analisar como as redes reagiram a carta do José Mayer que, vale ressaltar, só foi divulgada por pressão de movimentos feministas dentro e fora da Rede Globo, já que até um dia antes diversos atores envolvidos e canais de imprensa culpavam a figurinista violentada, vítima do ocorrido.

Chega de Assédio

Hashtags mais utilizadas para abordar o crime cometido por José Mayer.

Ao analisarmos o Twitter em busca das principais hashtags envolvidas com as denúncias contra o ator, observamos um ponto interessante e que merece reflexão: as denúncias de uma outra atração, com outros funcionários da mesma emissora, envolvendo o mesmo tipo de denúncia: ofensas machistas e atitudes misóginas no Big Brother Brasil. Não foi a primeira vez que esse tipo de acusação atingiu um participantes do programa – na realidade não foi sequer a primeira edição onde isso ocorreu. “Mas a Globo não produziu esse cenário”, alguns podem argumentar. A dúvida que fica é: será? Vale lembrar que dias atrás um dos participantes deixou escapar que um dos diretores teria ordenado que ele “comesse” uma das participantes. A história, seja verdadeira ou não, sequer foi desmentida pela produção do reality show.

Para a surpresa de muitos, na manhã desta quarta-feira (05/04) foi a vez de um ator sair em defesa de José Mayer: Caio Blat defendeu o ator dizendo que “não houve intimidação”.

São menos de 24 horas, três denúncias e três diferentes atores envolvidos em denúncias – todas nítidas e inegáveis – envolvendo machismo, misoginia e/ou crimes de assédio. O que tem em comum? A mesma emissora: Rede Globo.

Mais do que nunca devemos parar e pensar: é, realmente, um problema individualizado como tenta fazer transparecer a emissora? Até quando a emissora continuará tratando o tema como desvio de conduta pessoal em alguns casos, como potencial para o crescimento da audiência (BBB) em outros e não como uma crise institucional?