O debate sobre o #8M e o contorcionismo da imprensa para afastá-lo da ‘luta de classes’

Busquei durante o dia 8 de março, dia internacional da mulher, analisar o discurso da imprensa acerca da data. Comemoração? Mobilização? Manifestação? Resolvi entender o que ‘as imprensas’ queriam dizer. Após análise de mais de 130 canais de comunicação no Facebook, busquei traçar algumas linhas argumentativas observadas. No total foram capturadas mais de 970 publicações realizadas por essas páginas.

Não apenas o volume diz muito sobre o tema, mas também quem o produziu: páginas identificadas como de esquerda/progressista produziram mais que o dobro de publicações dos jornais impressos, por exemplo. Para além do volume de publicações, a ‘linha argumentativa’ adotada por cada campo denota um viés específico de abordagem.

Imprensa termos

Principais termos utilizados por cada agrupamento de mídia. Observamos, no agrupamento da imprensa tradicional, um predomínio de termos como: violência, direitos, homens e igualdade.

Enquanto a imprensa tradicional foca na luta contra a violência, por mais direitos e igualdade entre homens e mulheres, a imprensa de esquerda/progressista busca ir além, pautando o dia também com debates que buscam conectar à luta feminina outras pautas como mobilizações, democracia, golpe, ocupações e até mesmo críticas à imprensa. Descrevo os maiores abaixo:

AGRUPAMENTO I (24,27%): Aqui talvez resida a ‘perversidade’ da grande imprensa. Ao contrário das manifestações muito mais agressivas de mulheres ligadas à movimentos sociais brasileiros, grande enfoque é dado para manifestações realizadas na Espanha, por exemplo. Ao contrário de termos combativos são observados tantos outros que buscam valorizar o que a partir desta linha editorial parece uma ‘data festiva’: celebrar, especial, homenagear, participar, conquistas, entre outros. Manifestações com um ‘teor mais pacifista’ – ainda mais se comparada à invasão do parque gráfico da Globo pelas mulheres do MST – como as realizadas em São Paulo também foram divulgadas. Termos como luta e feminismo fazem parte também desse agrupamento, influenciados pela cobertura promovida também pela imprensa de esquerda.

AGRUPAMENTO II (23,79%): Compõe o agrupamento central de termos e partem de alguns debates ligados à pauta feminista como mulheres receberem salários menores, mulheres na política, ações pelo mundo. Aqui os homens são citados, o que sugere uma abordagem que busca contrapor ‘os privilégios em nossa sociedade’. Aborda fortemente a violência contra as mulheres, com termos como violência, combate, sexual, doméstico, Lei Maria da Penha, machismo, assédio, sofrer, respeito e vítima. Aqui uma notícia chama atenção ao criar um agrupamento específico (4,37%): projeto na Câmara que endurece a pena em crimes que envolvem estupro coletivo.

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Principais agrupamentos aqui analisados.

AGRUPAMENTO III (19,42%): No outro oposto do mapa a Globo monopoliza uma linha argumentativa – desta vez pela imprensa de esquerda. A cobertura aqui é muito mais focado em manifestações concretas de mulheres por todo o Brasil. Termos como denúncia, protesto, golpe, denunciar, movimento, trabalhadoras, cercar, reunir, organização, organizar, ocupar, democracia, espaço, paralisar, terras, empresas, entre outros dão uma noção de ações concretas durante este dia das mulheres. Esse viés é quase que subitamente ignorado pela grande mídia, sejam jornais, rádios, televisivas ou periódicas. Esse agrupamento aprofunda-se ainda mais em um outro, verde (4,85%), que foca a luta e o combate das mulheres do campo, abrindo assim uma nova vertente de ações, movimentos e organizações, no entanto, ignoradas pela grande mídia.

AGRUPAMENTO IV (14,08%): Um aprofundamento do agrupamento amarelo traz um viés jornalístico para casos específicos do dia a dia feminino na sociedade. Aqui são abordadas questões ligadas ao cotidiano, como filhos, educação, escola, sociedade, casa, mês, mãe, negro. Podemos definir como os problemas que as mulheres enfrentam no seu dia a dia. Preconceito, violência, dificuldade de inserção no mercado de trabalho e de continuar os estudos. Sendo um tipo de ‘violência’, dialoga fortemente com o agrupamento salmão.

AGRUPAMENTO V (9,22%): Aborda o dia, bem como o tema, de um viés muito ligado ao ‘conflito de classes’, abordando a luta por direitos e igualdade. Manifestações e a necessidade de ir as ruas contra a desigualdade são valorizadas aqui. O contraponto é feito a partir das reformas do governo Temer, definidas como retrocessos em uma sociedade que busca ser mais igualitária. 

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Temer internado, humor e a obsessão fálica do brasileiro.

Entre as manifestações promovidas contra Temer entre os dias 24 e 25/10, a votação na Câmara e a compra de Deputados de forma descarada, nada mobilizou mais do que um sentimento praticamente unânime nas redes sociais online: o descaso pela saúde do presidente golpista.

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Grafo formado a partir do termo “Temer”, no Twitter, durante os dias 24 e 25/10.

Foram muitas as ironias baseadas na obsessão fálica que é inerente à grande parcela da humanidade, somada aos problemas urológicos que Temer apresentou. Inúmeras foram também as menções pautadas pelo humor no caso da internação do presidente.

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Temer, pau, pinto internado estão entre os termos mais utilizados pelo agrupamento verde

Chama atenção porém o fato de que, mesmo com dias de mobilização contra o Temer, apenas três horas de uma mobilização orgânica entorno da doença do presidente foram capazes de gerar um movimento entorno do tema até mesmo 13% maior do que progressistas e reacionários somados [no Twitter, no caso].

 

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Referências à Globo, Plantão, Usurpadora [Novela exibida pelo SBT] e outros elementos da cultura do Twitter estão entre os mencionados no agrupamento amarelo.

Fato é que, mais uma vez, uma breve análise das redes reforça o quanto embates políticos nas redes sociais online estão cada vez mais polarizados e condenados ao ‘ostracismo’ enquanto optarem por temas massantes e sem abordagens que busque se reinventar. Podem ser artistas, políticos ‘descolados’, atores ou quem quer que seja, não importa. Enquanto direita e esquerda não buscarem se renovar na linguagem e abordagem dos temas políticos que regularmente abordam, esses agrupamentos acabaram perdendo espaço para o Plantão da Globo e o meme da Usurpadora.

 

O #CatalanReferendum no Twitter: violência, notícias falsas e holofotes

Durante o dia 01/10 foi realizado o #CatalanReferendum na Catalunha, região da Espanha. Foram coletadas mais de 400 mil ocorrências no Twitter durante o período.

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Grafo “CatalanReferendum” no Twitter. Mais de 400 mil ocorrências.

A hashtag #CatalanReferendum ressalta algumas diferenças interessantes para o período, como o uso do termo “separatistas” apenas por usuários contrários ao referendo e à independência da região catalã.

A violência policial foi o ponto que uniu membros da UE, espanhóis e ingleses, por exemplo. Diversos apoiadores do #Brexit se posicionaram sobre o tema exigindo respeito e condenando a violência. É curioso como muitos – ou todos – aqui fogem da análise político-econômica da medida, condenando apenas a violência policial.

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Assim como no Brasil, impressiona o volume de manchetes falsas, imagens requentadas e outras manipulações que já estamos bem acostumados. Canais contrários ao referendo se empenharam durante todo o dia, em esclarecer que muitas das fotos eram na realidade resultado de ações dos “Mossos” [google it!] e de anos anteriores. Em um dos casos mais emblemáticos envolvendo Bombeiros e Policiais Espanhóis, usuários relatam que as imagens relatam, na realidade, uma manifestação de 2013.

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Vale ressaltar também o peso do clube FC Barcelona durante toda a mobilização, em especial do zagueiro Gerard Piqué.

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As palavras – e lágrimas – do jogador no pós-jogo foram um dos combustíveis para a mobilização nas redes sociais online.Entre os usuários contrários ao referendo destaca-se o alerta para o “perigo econômica” para Espanha e UE, bem como críticas à uma ação “inconstitucional” como o referendo.

#TakeTheKnee: Donald Trump não está – e nunca esteve – sozinho

O grafo retrata uma coleta realizada nos últimos dias a partir da hashtag #TakeTheKnee. Trata-se de uma manifestação de apoio aos jogadores de futebol americano que têm se ajoelhado durante o hino nacional dos Estados Unidos, em protesto pela injustiça racial no país. Um gesto que provocou a irritação do presidente dos EUA, que chegou a fazer um pedido no Twitter para que a liga nacional de futebol americano (NFL) seja boicotada. Como resposta foi lançada nas redes sociais a hashtag #TakeTheKnee.
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#TakeTheKnee: manifestações nas redes sociais online encabeçadas pelos esportistas americanos

A análise dessa ‘foto’ do Twitter nos ajuda a reforçar, mais uma vez, que a fatídica frase “só podia ser no Brasil” sempre ficará restrita apenas ao tema Havaianas. Enquanto aqui temos políticos movidos pelo racismo, preconceitos e outros crimes, os EUA também tem os seus, assim como a Alemanha.
Nesse caso é realmente assustador ver o grande volume de menções em apoio ao presidente Donald J. Trump. Se alguns canais da imprensa nos transmitem a imagem de que Trump seria um “louco isolado na presidência americana”, as redes ajudam a nos explicar – e alertar – que não é bem assim.
O retrocesso não é uma exclusividade brasileira, assim como – pasmem – a jabuticaba. “Só podia ser no Brasil” é, portanto, uma frase que em nada contribui para o debate político mundial-nacional. É importante, mais do que nunca, entendermos que o processo de retrocessos sociais, econômicos e políticos envolve diversos atores mundiais, e não apenas questões brasileiras.

A importância do “não alimente os trolls” na política

Muito se discute sobre o “poder da atenção” e tempo gasto por usuários de agrupamentos contrários a determinados movimentos e atores nas redes sociais online para a escalada e ascensão desses mesmos atores contra os quais eles se posicionam contra.

Tomamos aqui como exemplo o deputado federal Jair Bolsonaro. Quando muitos atacam as menções ao deputado com a justificativa de “Não alimentem os trolls“, muitos questionam, duvidam e até mesmo argumentam que tal movimentação não tem peso algum – ou é irrelevante – frente a já consolidada campanha promovida pelo deputado federal nas redes sociais online. Será?

Analisamos durante os dias 24 e 27/06 menções ao deputado federal e potencial candidato à Presidência em 2018, Jair Bolsonaro. Dentro do debate gerado entorno desse ator, um tweet nos chamou atenção, o do deputado federal pelo PT, Enio Verri.

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Tweet/enquete feito pelo deputado petista que acabou “saindo pela culatra”.

Durante o período de análise, foi capturado também o buzz gerado a partir da divulgação de pesquisa sobre intenção de votos do Datafolha, no dia 25/06, em que o deputado Jair Bolsonaro aparece em 2º lugar, empatado com Marina Silva e atrás de Lula.

O resultado? Uma tentativa, digamos, frustrada por parte das redes do deputado petista de angariar um engajamento potencialmente temerário na forma de um “tira teima” da pesquisa no Twitter. A tentativa falha acabou por “absorver” o deputado petista para… o mesmo agrupamento que o deputado federal Jair Bolsonaro!

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Em números, a rede ego que se formou a partir do perfil de Enio Verri representou 11,3% dos nós e 11,76% das arestas representadas no grafo. Na análise? Pouquíssimo disso resultou em um engajamento efetivo nas redes do deputado por um longo período, sendo a grande maioria feita por fãs e seguidores de Bolsonaro que o fizeram, a partir de forte mobilização, vencer a enquete promovida pelo deputado petista.

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Talvez seja até tentador, mas é essencial calcular, analisar e planejar a abordagem dada ao seu concorrente, adversário ou até mesmo inimigo nas redes sociais online. Não se trata apenas de trollagem promovida pelos adversários, mas sim pela potencialização de temas, pautas e atores que as publicações buscam justamente confrontar.

Foto via Um Sábado Qualquer

Cuba & Trump no Twitter: ataques ao presidente americano e preocupações pelos charutos

Entre os dias 16 e 17 de junho foram capturados tweets envolvendo Donald Trump e o termo Cuba. Esse primeiro projeto de rede resultou em um grafo formado por 65.545 nós e 94.197 arestas.

Posteriormente, a fim de aferir quais os principais agrupamentos formados a partir dessas interações capturadas pelas ferramentas, foi gerada uma rede que resultou em um grafo composto por 59.323 nós e 88.398 arestas. Ou seja, basicamente 90,51% do total de nós registrado no grafo anterior.

Após a modularização desse segundo grafo, foi possível mapear os principais agrupamentos gerados a partir do algorítimo de modularização – que calcula a probabilidade de um determinado nós [nesse caso, usuário] estar incluído em um determinado grupo/comunidade ou em outro.

Dentre os agrupamentos criados, analisamos aqueles que reúnem ao menos 0,15% de todo o grafo em seu cluster. Assim, foram analisados 12 agrupamentos distintos.

Trump e Cuba? O quê aconteceu?

Donald J. Trump anunciou a revisão do acordo de reaproximação com Cuba. Esta nova política não reverte os feitos da aproximação iniciada por Washington e Havana em dezembro de 2014, mas endurece os seus termos.

Dentre as medidas, Trump fixou medidas mais estritas para controlar que os americanos que viajem à ilha o façam efetivamente em alguma das 12 categorias já implementadas por Obama, nenhuma das quais inclui o turismo – vale lembrar que empresas aéreas e de cruzeiros para Cuba fizeram investimentos milionários nos últimos dois anos para se preparar para o novo cenário bilateral.

Talvez o ponto mais curioso é que, tratando-se de um tema que envolve diretamente dois países, chama a atenção a ausência de uma mobilização essencialmente cubana entre os principais agrupamentos, fato que pode ser explicado por inúmeras variáveis sócio-político-econômicas que não fazem parte dessa análise. No entanto, aqui, observamos que o antagonismo à medida política promovida pelo governo de Donald Trump parte dos próprios americanos, a partir de um ponto de vista que não defende o país caribenho, sua população ou seu governo, mas sim ataca o presidente americano a partir de argumentos que reforçam a visão do retrocesso que tal ação representa para àqueles contrários as sanções promovidas pelo mandatário norte-americano.

Se interessou por essa análise feita a partir das redes sociais online? Aprofunde seu conhecimento sobre esse tipo de análise a partir do curso de Análise de Redes Sociais oferecido pela IBPAD!

Dentre os movimentos que se posicionam contrários à Trump destacam-se os democratas, venezuelanos pró-Maduro, movimentos engajados nas denúncias contra a discriminação racial, diversos meios de comunicação e, talvez o mais curioso capturado por esta análise, fã-clubes de charutos cubanos extremamente preocupados com possíveis sanções de Trump contra o produto.

Chama atenção a atuação de robôs venezuelanos no volume de tweets produzidos no período, bem como o perfil de embaixadas cubanas pelo mundo, com destaque para Espanha e Quênia. É importante ressaltar, no entanto, que robôs estão dispostos dos dois lados: defesa e ataques à Cuba, quase sempre fortemente conectados também a realidade política venezuelana.

Para além das ponderações necessárias, os – poucos, é verdade – tweets georreferenciados mostram uma movimentação maior em países de língua hispânica, além do diretamente envolvido Estados Unidos.

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O envolvimento de usuários da América Latina – em especial Venezuela e alguns outros como Bolívia, com destaque para o presidente Evo Morales – parece “suplantar” a ausência de uma rede fortemente engajada nas redes sociais online que seja oriunda diretamente do país envolvido, no caso Cuba. Ainda visando “superar” a ausência de Cuba no Twitter, diversas embaixadas e Ministérios se posicionaram nas redes sobre o tema, gerando a partir daí diversos agrupamentos engajados com o tema.

Quem falou sobre o tema no Twitter?

Abaixo, o grafo criado a partir da captura e processamento dos tweets sobre o tema e, posteriormente, os principais agrupamentos analisados após o processamento dos dados:

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Agrupamento I: 33,2%

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Agrupamento marcado por usuários mais próximos aos democratas americanos. Entre as agências de notícias e imprensa, aqui destacam-se MSNBC e CNN. Alguns cantores e senadores – com destaque para Flórida e Connecticut se destacaram. Destacam-se aqui as comparações entre Cuba e Arábia Saudita [Oriente Médio], sendo o principal questionamento “Trump in Miami: I’m a “voice against repression” in Cuba (he’s expressed no similar concerns on human rights in Saudi Arabia, Turkey, Egypt), tweet de Bradd Jaffy, editor da NBC.

Basicamente, aqui, a defesa não se faz diretamente ao regime cubano ou ao país caribenho, mas sim ataques à Donald Trump e ao seu discurso retrógrado contra o país.

Agrupamento II – 21,38%:

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Fortemente militar e em defesa de Donald Trump. Robôs e fakes atacam o presidente, é verdade, mas aqui a presença de estados como Tennessee e Wisconsin. Médicos que se definem como “de imigrantes LEGAIS [com ênfase no termo legal]” e participação de usuários venezuelanos contrários aos governos chavistas no país latino-americano.

Agrupamento III – 18,2%:

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Agrupamento fortemente contrário à Maduro na Venezuela, com participação de usuários que circulam entre Miami e Venezuela e destaque para o usuário “dólar today”, fortemente envolvido na oposição à Nicolás Maduro. Aqui o perfil da presidência venezuelana foi “dragado” para dentro do agrupamento pelo volume de citações.

Agrupamento IV – 7,94%:

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Apoio aos imigrantes nos EUA, membros do governo Obama e o presidente boliviano, Evo Moralles, são destaques nesse agrupamento. Destaca-se a defesa à Cuba promovida por embaixadas cubanas na Espanha e Quênia, bem como o Ministério de Relações Exteriores de Cuba. A Telesur também está presente nesse agrupamento, juntamente com a Sputnik. Maior volume de usuários apoiadores do governo cubano.

Agrupamento V – 5,52%:

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Perfis reacionários brasileiros e imprensa. Amplamente reconhecidos pelo posicionamento de direita/reacionários nos debates políticos brasileiros no Twitter.

Agrupamento VI – 4,38%:

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Perfil vegano e imprensa Americana e internacional. Forte caráter informativo e formal.

Agrupamento VII – 2,17%:

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Forte envolvimento de movimentos raciais dos EUA, com destaque para o Black Lives Matter e diversos rappers, advogados engajados em questões raciais e cultura afro-americana. Destacam-se também comentaristas políticos da CNN e repórter da Bloomberg.

Agrupamento VIII – 1,85%:

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Imprensa francesa e mobilização superficial pró-Trump movida por robôs.

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Abaixo, outros agrupamentos registrados na análise e que merecem destaque:

3,64%: heebiejeebys: Perfil com um tweet que foi replicado. Extraordinário.

Tweet Interessante

Tweet extraordinário que gerou um agrupamento específico ao seu redor.

0,91%: Apoiadores de Maduro e entusiastas de Chávez fomentados principalmente por robôs e excessivo número de retweets.

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Usuários preocupados com a importação dos charutos cubanos.

0,31%: Talvez um dos mais interessantes agrupamentos formados a partir do tema: trata-se de um agrupamento formado ao redor de uma conta sobre charutos, preocupada com a legislação e importação do produto cubano no futuro. Inclui também correspondente do El País em Miami e El País internacional.

0,15%: Analistas conservadores, colunista conservador, jornalista e integrante do governo George W. Bush. Muito envolvido com dois projetos: The Heritage Foundation e Conservative Review.

Como as redes nos ajudam a entender a queda na aprovação de João Doria

O prefeito de São Paulo, João Doria, com certeza já viveu meses melhores em sua vida – e até mesmo em seu curto governo – do que o mês de maio. Marcado por diversas polêmicas e ações que mereceram até mesmo moções de repúdio da ONU, Doria se viu acuado por inúmeras acusações. O resultado? Uma queda – ainda que dentro da margem de erro, é verdade – em sua aprovação perante os paulistanos.

Segundo pesquisa do Datafolha divulgada nessa segunda-feira [05/06], João Doria viu a porcentagem de “fez pela cidade menos do que você esperava” saltar de 39% em fevereiro para 47% em abril e 53% em junho. Mas e o mês de maio?

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Pesquisa Datafolha divulgada dia 05/06.

 
O mês de maio talvez guarde a explicação para a queda, entre abril e junho, no percentual de “ótimo/bom” do prefeito – bem como do crescimento de “ruim/péssimo”. Ressalto aqui, mais uma vez, que ambos os valores encontram-se dentro da margem de erro. No entanto, não podemos negar a tendência à queda.

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Resta nos perguntar o porque – e quando – que ações que foram tomadas podem ter acarretado essa queda na avaliação de um prefeito que, nos olhos de boa parte da mídia e de seu eleitorado vem fazendo uma gestão impecável.

As redes sociais, as mesmas que são tão utilizadas pelo atual mandatário paulistano, podem nos ajudar a elucidar isso. Abaixo, ressalto três momentos de picos de menções registrados no Twitter durante o mês de maio, quando do monitoramento de tweets com o termo “Doria“.

Picos Doria

Três picos de menções são extremamente relevantes para a análise: 01, 18, 23, 24 e 26/05.

Crises diferentes, momentos diferentes e temas diferentes. Mas todos envolvendo diretamente o prefeito paulistano: episódio envolvendo flores, viagem com o deputado Rocha Loures, internação compulsória, manifestações contra a violência na região chamada de Cracolândia e demolição de prédio que acabou ferindo moradores na região da Luz.

Mês do Doria

Ainda que o “buzz” entorno da região denominada Cracolândia por parte da imprensa e do poder público seja significativo, o tema com maior impacto para João Doria foi a viagem com o deputado federal – agora preso – Rocha Loures.

O tema da “Cracolândia” ainda mostra-se extremamente delicado e, para a sorte da gestão Doria, conta com dificuldades de abordagem por parte da esquerda. Explico: tags em defesa da região como “#CracoResiste” sofrem extrema resistência em setores alheios ao debate sobre a região. Assim, enquanto movimentos sociais e em defesa da região não mobilizarem-se por meio de uma pauta muito mais representativa sobre a região, o tema ainda que gere bastante buzz contra João Doria, prosseguirá surtindo pouco efeito para além da polarização política.

Assim, enquanto João Doria luta para manter a imagem de “não sou político, sou gestor”, imagens circulam nas redes e buscam provar o contrário, ligando o prefeito à Michel Temer, Eduardo Cunha, Rocha Loures e Aécio Neves. O risco de cair na vala dos políticos tradicionais [e condenáveis perante os recentes escândalos] soa muito mais perigoso no eleitorado recém dominado por João Doria. A magia que se desenhou durante os últimos nove meses pode desaparecer em questão de semanas.

Como as palavras mais utilizadas durante o #OcupaBrasília nos ajudam a entender o cenário

Alguns dos principais termos utilizados durante as manifestações do dia 24/05, em Brasília, durante o #OcupaBrasília.

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Observa-se uma predominância de termos que remetem ao vandalismo no agrupamento de direita [azul], Ali, termos como “vândalos”, “fogo”, “invadem”, “fumaça”, “#LulaNaCadeia“, “militares” e “caos” associam-se à “agricultura”, “ordem” e “imagens”. Observe, aqui, que Temer não é um dos termos mais presentes nesse agrupamento, que apenas utiliza-se das ações do presidente para posicionar-se contra as manifestações dos movimentos sindicais.

Azul

Já no agrupamento de esquerda/progressista [vermelho] termos como “povo” e “manifestantes” se contrapõe a generalização de vândalos proposta pelo agrupamento azul. As denúncias contra a violência policial são transmitidas por meio de termos como “reprimir”, “armas”, “policiais”, “atiram” e ataques ao “presidente” com termos como “golpe” e “corrupto”. Temer ainda é fortemente questionado pelo “decreto” que acionou o “exército”. Aqui, direita e esquerda se somam nas menções à “ruas”. Enquanto a esquerda mostra uma ligeira preferência pelo termo “exército”, a direita opta pelo termo “militares”.

vermelho

Outros termos como “dragão”, “estimação”, “derrubem” e também “imagens” foram utilizados por usuários que ironizaram os atos de vandalismo contra os ministérios e a frase de Michel “Temer” que, dias antes, utilizou a frase “Se quiserem, me derrubem”.

Doria atacando Lula? Sinal de que as coisas não vão tão bem para o tucano

Dias atrás ressaltei e analisei a semana, digamos, um tanto quanto “ingrata” para o prefeito paulistano nas redes sociais online. Doria foi atacado por diversas frentes durante o período, ficando acuado em um ambiente em que costuma ditar o jogo.

A partir desse período [28/04 até 08/05] busquei analisar qual foi – ou seria – a reação do mandatário da paulicéia frente a enxurrada de críticas que dominavam as timelines e tinham diversas justificativas: 99táxis e Uber, tentativa de furar a Greve Geral, ataques à ciclistas e retirada de ciclovias, flores atiradas ao chão, aumento no número de mortes nas marginais, agressões a pessoas em situação de rua e por aí vai. O alvo do descontentamento, no entanto, era apenas um: João Doria.

O grafo abaixo mostra a movimentação, no Twitter, durante as últimas duas semanas com o termo Doria. Para fins metodológicos, foram capturadas 185.704 ocorrências, com picos expressivos nos dias 28/04 e 01/05. O curioso aqui é que ambos os picos foram registrados em datas marcadas por manifestações ligadas à classe trabalhadora. Aparentemente, as tentativas eleitorais de ligar João à classe vêm encontrando dificuldades para se propagar nas redes para além da massiva campanha feita durante o período eleitoral.

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Nele estão presentes dois grandes agrupamento nitidamente distintos: o vermelho representa usuários detratores de João Doria e sua gestão, enquanto o azul mobiliza apoiadores do prefeito. O agrupamento de detratores aqui representa mais de 60% do grafo, enquanto os defensores da gestão e do prefeito tucano representam menos de 34%. O ponto curioso aqui é: o que falam ambos os agrupamentos?

Entre os detratores da atual gestão, conforme ressaltado acima, não há segredo: são ataques movidos contra a hostilidade pública de Doria em relação aos cicloativistas [ciclista], dificuldade em reconhecer os erros no aumento da velocidade das marginais e consequente aumento no número de mortes nas vias [flores], tentativa de intimidar usuários com equipe de advogados nas redes sociais online [advogado], agressões à pessoas em situação de rua [GCM], tentativa de oferecer transporte particular para todos os servidores que quisessem furar a greve, tentativa essa que fracassou [Uber], desconhecimento da legislação ao afirmar que grevistas não teriam razão/direito para tal paralisação [legislação], entre tantos outros.

Esquerda - Doria

Mas como será que os defensores de Doria rebateram essas acusações e buscaram mudar o rumo das discussões? Aqui está o ponto mais curioso: eles não tentaram fazer isso.

Como observamos na nuvem de palavras abaixo, os termos mais utilizados pelos usuários apoiadores de Doria são dominados por um nome: Lula. Mas o que teria o ex-presidente a ver com as diversas pautas municipais levantadas acima? Nada, talvez. No entanto, a tática de João Doria aqui é bem simples.

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Sempre que João Doria sente-se acuado – seja nas redes ou nas ruas – ele mira a pauta nacional em uma nítida tentativa de desviar o foco nas acusações. No âmbito nacional, conforme demonstram pesquisas de Datafolha, Ibope, Vox Populi, entre outros, Lula e Bolsonaro se destacam. Assim, Doria não pensa duas vezes e chama para si o discurso de Bolsonaro e passa, incessantemente, a atacar Lula.

Essa curiosa movimentação do tucano acendeu o alerta até mesmo em correligionários do político. Segundo o jornal O Globo, diversos interlocutores já advertiram João Doria sobre os “perigos de seu destempero”.

Doria Paz e amor

Portanto, lembre-se da próxima vez em que esbarrar, em sua timeline, com um vídeo de Doria destilando seu ódio contra Lula: os ataques tem como único objetivo desviar o foco nas redes quando ele passa a se sentir acuado.

Enquanto cidadãos, moradores e usuários, cabe aos paulistanos não cair no debate de baixo nível proposto à nível nacional e assim, continuar, a cada dia, cobrando o prefeito sobre suas responsabilidades em nível municipal, lembrando-o sempre de que ele foi eleito para comandar uma das maiores cidades do mundo, apenas.

Uma semana para o prefeito de São Paulo esquecer: Doria, Greve Geral e Ciclistas

O prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, teve uma semana no mínimo conturbada no Twitter. O agrupamento [amarelo] de usuários detratores que mencionaram ‘Doria’ foi a imensa maioria durante o período [61,5%].

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Os ataques partiram das mais diversas frentes: flores [após atirar flores entregues em luto pelas mortes nas marginais de São Paulo após o aumento da velocidade proposto pela gestão Doria], trabalhadores [após ataques aos grevistas durante a paralisação de 28/04], Uber [o prefeito chegou a prometer Uber e 99 Táxis para todos os servidores públicos da cidade durante a Greve Geral, mas teve que voltar atrás após não conseguir cumprir a promessa e gerar mal-estar entre ambas as empresas], Ciclistas [após se recusar a dialogar com cicloativistas e mandar retirar diversas ciclofaixas na cidade], Servidores [servidores da prefeitura regional de Pinheiros chegaram a dormir no trabalho para evitar a greve, e a medida foi vista com bons olhos por Doria], Lula [em uma saga pessoal promovida por Doria com o objetivo de atacar e se colocar como antagonista do ex-presidente] e até mesmo o astro de Hollywood, Schwarzenegger [após visita do ex-governador americano à cidade de São Paulo].

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Assim, Doria deverá continuar apostando alto em suas ‘polêmicas’ nas redes sociais online, sempre tentando dobrar as apostas e, cada vez mais, aproximando-se de agrupamentos que têm em Jair Bolsonaro seu principal representante nas redes. No entanto, a intensa campanha promovida por Doria à frente da Prefeitura começa a dar indícios de que não conseguirá sobreviver intocável as dificuldades que administrar uma das maiores cidades do mundo impõe a qualquer gestor.